Circuitos de Gastronomia

Deus criou a água, o homem criou o vinho

Portugal foi desde sempre um país que produziu vinho. De Norte a sul, Este e Oeste os diferentes solos, castas e clima, permitiram a produção de uma vasta gama de vinhos de qualidade. As vinhas representam o trabalho dedicado e paciente de muitas gerações, herdeiros de uma tradição que deu vida a vinhos, que apresentam uma qualidade e reputação que os tornaram conhecidos em todos os antos do mundo.

A época das vindimas varia, segundo os anos e as regiões, entre fins de Agosto e meados de Outubro, quando os vales e as serras se enchem de tons dourados e vermelho fogo.

Não é nossa a pretensão de criar um guia de vinhos, mas sim a de poder informar como pode participar nessa azáfama colorida e alegre que são as vindimas, fazer provas de vinhos em qualquer época do ano, aprender a linguagem que caracteriza essa prova e experimentar novas sensações inesquecíveis.

Enriquecer o conhecimento sobre as qualidades de um vinho, o seu aroma, a temperatura a que deve ser servido, o que é um vinho jovem ou velho, encorpado ou murcho, as formas de o envelhecer e a importância do perfil das substâncias aromáticas e das especiarias nos seus aromas e características, ou das iguarias que os podem acompanhar.

É na perspectiva das várias casas e quintas onde pode permanecer em vários pontos do país, que lhe propomos um circuito que lhe servirá de referência para o fazer.

Os vinhos Verdes, frescos e pouco alcoólicos, originários de Entre Douro e Minho, não são todos iguais, e são as castas e as regiões onde são produzidos que os diferenciam. São mais gasosos e frutados que os outros, e excelentes quando acompanham os pratos típicos da mesma zona. Assim, no caso do tinto que não se conserva bem, quando engarrafado, poderá bebê-lo à saída da pipa acompanhado de rodelas de chouriço local, salpicão e broa de milho ou dos pratos tradicionais de bacalhau, rojões, sarrabulho ou lampreia.

Nesta região, as Adegas de Ponte de Lima e Ponte da Barca, recebem as uvas das castas loureiro e vinhão, mandadas por grande parte das casas da rede Solares de Portugal, quer sejam elas casas antigas, quintas e herdades ou casas rústicas.

Já o famoso Alvarinho  provem da região de Monção e um dos pontos de partida para desfrutar do mesmo é uma estadia na Casa de Rodas. Esta antiga casa é produtora de uvas da casta Alvarinho e aqui também, poderá fazer provas de vinhos, tomar banho na piscina e passear a pé.

Continuando a nossa rota dos vinhos descemos agora para os vales recortados do rio Douro onde imperam os famosos vinhos com o mesmo nome, e onde a produção é conhecida desde o séc. XIV.

A qualidade do vinho produzido no Douro depende da localização e da altitude a que está a vinha. A zona de produção do vinho do Porto, coincide com a zona xistosa da chamada terra quente que lhe é mais favorável.. São muitas as quintas e produtores que desenvolveram as técnicas e qualidade de produção de vinhos, outrora comuns e que são hoje dos melhores vinhos portugueses.

O Alto Douro Vinhateiro é Património Mundial da Humanidade pela Unesco, e uma região de beleza incomparável.

Nos vinhos tintos e brancos distinguem-se as zonas sobranceiras ao rio que lhes conferem um teor mais leve que os das zonas do sul do Douro, Armamar, Lamêgo e Tarouca, e também na zona fronteiriça do Dão, já para a região de S. João da Pesqueira e Tabuaço.

Os vinhos do Dão e são de grande qualidade e produzido apenas nalgumas das encostas do vale do Dão e em certos microclimas, resultantes da protecção dos ventos marítimos pelas serras do Caramulo e Buçaco. Os melhores vinhos desta região Demarcada são de forma geral os da margem direita do rio Dão, e os que se situam entre o Dão e o Mondego.

A gastronomia da Beira interior é famosa. As trutas assadas no forno ou abafadas, os maranhos à base de cabrito, os buchos, o cabrito estonado, as morcelas e as farinheiras, sem esquecer o melhor queijo artesanal do mundo, o queijo da serra, prestam-se aos melhores vinhos.

A Bairrada, como o nome indica, deriva de barro; os solos são argilosos e ideais para produzir vinhos. Aqui entre o Vouga e o Mondego produzem-se alguns dos melhores vinhos nacionais.

Chegamos ao Alentejo. Aqui, as zonas de produção de vinho  espalham-se um pouco,  destacando-se Portalegre, Castelo de Vide, Sousel, e mais perto do Guadiana, Moura, Vidigueira, e Viana do Alentejo, são regiões de produção de excelentes vinhos. Já na região de Évora, Redondo, Borba e Reguengos e Serpa têm uma qualidade e variedade imensa na produção de bons vinhos.

A cozinha alentejana, rica e variada não fica atrás dos seus vinhos, que tão bem acompanha, e a maior dificuldade reside na escolha. Os queijos de Serpa e de Nisa, os enchidos, as sopas de cação, de beldroegas, ou gaspacho são apenas algumas das entradas possíveis. Nas carnes dominam o borrego e o porco, os pézinhos de coentrada, a carne de porco com amêijoas, o ensopado de borrego, mas as escolhas não se limitam facilmente. As migas fazem-se com bacalhau, tomate, amêijoas ou apenas com alho e coentros, elemento base desta alimentação deliciosa.

Importante é recordar que conhecer o país através dos seus vinhos ou gastronomia, é apenas um motivo para ir ao encontro das suas gentes, quotidianos e vivências. Toda a diferença é feita, quando se é recebido por famílias que habitam há gerações nestes lugares, em casas que mantêm as tradições e onde se transmitem conhecimentos e sabedoria.

Fonte: Solares de Portugal (2006), A Qualidade ao Serviço da Tradição