Por razões de saúde ou pela procura de bem-estar, as termas constituem desde tempos imemoriais um local muito procurado. O stress inerente ao mundo do trabalho, os problemas familiares ou o simples cuidado com a beleza e o aspecto estético e físico, fazem com que as termas sejam um produto natural, que serve de lugar privilegiado para melhorar a qualidade de saúde dos portugueses.
Existem os benefícios do termalismo tradicional em que as termas são utilizadas por motivos exclusivamente de saúde, ou as do termalismo com novas vertentes para pessoas interessadas também no aspecto turístico envolvente. A ocupação do balneário serve para a utilização das águas numa versão de manutenção e relaxamento, através da utilização de banheiras de hidromassagens, dos duches escoceses, ou outros, saunas, das diferentes massagens e da utilização de piscinas, mantendo o benefício da características das águas. Estes aspectos revelam também uma necessidade e exigência de tendência mais recente, em que as pessoas encararam o termalismo como uma prevenção a problemas de saúde, ou à simples procura de bem-estar.
São muitas as Termas no nosso país. Vamos focar apenas algumas delas, tendo como referência os Solares de Portugal como complemento do potencial turístico das Termas, e de descoberta de determinadas regiões.
As Caldas de Monção são mencionadas em registos oficiais pela primeira vez em 1706; Descrevia o Padre Amaro que – “nessa época perto do rio, nasce um olho de água quente a que chamam Caldas, e nelas tomam banho e lavam a roupa”. Desde 2001, altura em que fora modernizadas as Termas, o conceito é o de aliar a saúde ao lazer e convívio, e o balneário está equipado com as mais modernas tecnologias para situações de dermatologia, tratamentos do foro respiratório e motor.
Em Melgaço, as Termas foram implementadas num parque natural onde a água das nascentes minerais são uma presença constante, oferendo a quem as procura a possibilidade de desfrutar uma ligação descontraída com a natureza, proporcionando em simultâneo a utilização de um recurso reconhecido pelo seu potencial terapêutico, nos tratamentos respiratórios e no reumatismo.
Seguindo o percurso pelo Parque da Peneda-Gerês, onde pode apreciar o santuário da Peneda, vai passar por estradas sinuosas onde a tónica é o cheirinho a urze, os cavalos selvagens, as cascatas e onde à noite se ouvem os lobos uivar.
No Minho, as Termas do Gerês situadas a 30 quilómetros de Braga, são dotadas de técnicas termais modernas, especialmente vocacionadas para tratamentos do aparelho digestivo entre outros. Para além disso, a piscina aquecida, o ginásio, banho turco, sauna e massagens complementam a procura e a expectativas dos utentes. As Termas estão localizadas em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, com setenta mil hectares de reserva ecológica e paisagens de cortar a respiração, a arqueologia, fauna, e flora juntam-se aos aspectos da etnografia Aproveite para visitar as Furnas, S. Bento da Porta Aberta, Terras do Bouro, e Barragem da Caniçada onde pode praticar diferentes desportos náuticos.
A dezassete quilómetros de Braga, as Termas de Caldelas, situadas no Conselho de Amares tem indicações terapêuticas para as perturbações do aparelho digestivo, pele e reumatismo. Conhecidas pelos romanos, como testemunham pedras e ninfas encontradas em escavações arqueológicas, a estância termal tem programas anti-stress energético, emagrecimento e rejuvenescimento através de ingestão de águas, massagens Vichy, duches e lamas entre outros, complementados com tratamentos de fisioterapia.
Situadas a escassos quilómetros de Barcelos, as Termas do Eirôgo, são consideradas por possuírem uma das melhores águas minerais do país e mesmo da Europa. Situadas numa região circundada e protegida por pinhais, quintas, vinhedos e belos solares, estas termas estão particularmente indicadas para o tratamento de afecções respiratórias, dermatológicas e reumáticas.
As primeiras referências às águas da Caldas da Saúde, datam da época romana. Depois de encerradas em 1987, reabriram em 1994, completamente remodeladas segundo padrões de qualidade do que de melhor se faz na Europa, colocando à disposição dos aquistas produtos inovadores em matéria de termalismo. Aqui pode encontrar um clube de saúde, vários programas anti-stress, tratamentos adelgaçantes e fitoredutores.
Viajando do Minho para Trás-os-Montes, as Termas de Vidago devido à fama das suas águas, recebiam nos anos de 1875, e 1876, a visita do Rei D. Luís, e eram um local onde se encontrava com frequência a fina flor da sociedade portuguesa. Além de famosas águas de consumo, são também óptimas para a pele, sistema nervoso, aparelho digestivo e respiratório. Integradas num bonito ambiente paisagístico têm ao dispor um conjunto de infra-estruturas como campo de golfe, equitação, ténis, barcos, tiro aos pratos e circuito de manutenção.
Muito perto de Vidago e situadas dentro da cidade, as Termas de Chaves têm uma característica única, que é a temperatura à saída das nascentes a 73º graus durante todo o ano. Tito Flávio Vespasiano, chamava de “suas”, estas nascentes de águas minerais, e foi ao valor desta dádiva da natureza que se ficou a dever o nascimento da cidade.
Já nas Beiras, a utilização das águas das Caldas da Felgueira em doentes que sofrem de males de pele remonta ao início do séc. XIX, até serem constituídas em 1867 como Companhia de Águas Medicinais da Felgueira, com indicações terapêuticas para problemas de pulmões e aparelho respiratório e ossos.
As Termas do Buçaco são já, bem famosas, mas logo ali ao lado as Termas da Curia, não são menos atractivas. Concedido pelo rei D. Carlos o alvará régio que permitia a utilização das termas estas abriram ao público em 1902. Incluídas num parque natural de catorze hectares com lagos e espécies botânicas classificadas, estas termas destinadas a problemas endócrinos, reumáticos, e de ossos, proporciona também as outras componentes para o seu bem estar. Outra opção são também as Termas do Luso, junto à mata Nacional do Buçaco, destinadas aos problemas renais, dérmicos, metabólicos e outros.
Há muito no Alentejo que as termas eram utilizadas. As nascentes de água minero-medicinais das Termas de Cabeço de Vide, são conhecidas desde tempos antigos pelo nome de “a sulfúrea”, existindo vestígios de um antigo balneário romano provavelmente do tempo de César Augusto. As suas águas são boas para tratar as vias respiratórias, reumático, e patologias dermatológicas.
Bem mais para Sul, na Ilha de S. Miguel no Açores, a 45 quilómetros de Ponta Delgada, as Termas das Furnas possuem respiradouros de vapor, fontes de água a ferver, banhos de lama quente e outros equipamentos de geotermismo, em que as propriedades das águas são destinadas ao aparelho respiratório, pele, e reumático.
Qualquer utilização das Termas pode não se resumir a curar ou prevenir doenças; Além dos aspectos terapêuticos que são sem dúvida importantes, e da própria utilização das termas, com os seus momentos agradáveis, não podemos deixar de lembrar a riqueza do património existente nas proximidades, a importância da vivência em casas que recebem os seus hóspedes como em família, e de como isso pode enriquecer qualquer viagem pelo nosso país.
Fonte: Solares de Portugal (2006), A Qualidade ao Serviço da Tradição
